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sexta-feira, 25 de maio de 2012

Ações a serem exercidas pelas Igrejas locais junto à Pastoral Carcerária:

Cadastramento de Novos agentes religiosos

Santa Ceia na Unidade Prisional


Treinamento e capacitação de novos agentes religiosos



  • Oração:
O primeiro e importante passo a ser dado por nossas Igrejas Locais no ministério de evangelização junto àquele que se encontra encarcerado é orar. Seja pela equipe de evangelização ou pelo que se encontra preso e sua família. Além de ter esta causa como motivo de interseção nas reuniões de oração e cultos, também o promover vigílias de oração com este tema específico tem trazido resultados muito positivos para o trabalho da Pastoral Carcerária, e isto não só por pedir a direção Divina e suas Bênçãos, mas também pelo fato de envolver a Igreja e estimular um maior apoio para com esta causa.

  • Evangelização e consolo através da escrita de cartas ao que está preso:

Este é um importante ministério a ser exercido por nossas Igrejas locais junto a Pastoral Carcerária, contando com excelentes resultados, no propósito de evangelizar e fortalecer na fé o que se encontra encarcerado.

A revista Época, com data de novembro de 1999, relata a experiência de Dona Dorcas, que mesmo com 86 anos de idade à época, hipertensa e com complicações circulatórias, “gastava” 15 horas por dia, escrevendo para presos em diferentes Estados do Brasil.

A Irmã Dorcas começou este ministério em 1989, quando conseguiu o nome de 10 pessoas que se encontravam presas, com uma amiga da Igreja. Na época da entrevista, de janeiro a setembro de 1999, já havia enviado 42.130 cartas, obtendo 2.803 respostas, nunca privilegiando os famosos em detrimento dos anônimos.

Ela mantinha um fichário com nomes de 6 mil pessoas que se encontravam presos em todo o país, acreditando ter incentivado 58 conversões, só no ano de 1999.

Seu ministério é financiado por uma Igreja local, através de selos e envelopes, nunca em dinheiro, que ela não aceita. O mesmo carteiro que traz as cartas leva consigo lotes diários de envelopes. O estreito convívio entre ambos fez com que o funcionário do correio se convertesse.

Ouvi o relato de um pastor, que ao conversar com um rapaz que se encontrava preso e recebia as cartas, lhe disse: “As cartas desta senhora já me tiraram de depressões terríveis. Eu sinto amor nestas cartas”.
Transcrevo aqui parte de uma destas cartas:

Porto Alegre, maio de 1999.
Minha querida mãe (...), eu estava para cometer suicídio e a senhora e Jesus me livraram deste porão imundo, que é satanás (...). Jesus me deu o que eu tanto queria há dez anos, minha transferência. (...) A diretora disse: “Claudia, faça uma carta que eu mando junto com o ofício para o Juiz”. Aí eu fiz e ganhei a minha transferência. (...)
Claudia.”

Você que se emocionou ao saber da história da Dona Dorcas no Rio de Janeiro e ler a transcrição destas poucas linhas, se sentindo chamado a este ministério e ao mesmo tempo incapaz de exercê-lo, saiba que não necessita ter o mesmo tempo e disposição da Dona Dorcas para ser uma benção como ela foi nesta forma de evangelização.

Entretanto há algumas precauções a serem tomadas por quem deseja trabalhar com o ministério de cartas para os encarcerados:

  1. Envolver toda a Igreja. Antes de enviar a carta é importante trazê-la ao altar da Igreja para que, através da imposição de mãos da comunidade, ela atinja realmente o seu objetivo.

  1. Ter uma caixa postal. Recomendo que se tenha uma caixa postal para este tipo de trabalho, por razões de segurança. Uma outra opção é pedir a autorização do seu pastor para usar o endereço da Igreja, mas o mais recomendável é a abertura de uma caixa postal.

  1. É importante que este ministério seja exercido preferencialmente por senhoras e pessoas já maduras na fé Cristã.
O que se encontra encarcerado vive muitos tipos de carência: não só as de ordem material, mas também afetiva. Sendo assim, ele pode querer algum tipo de envolvimento e você deve estar preparado para lidar com isso. A Dona Dorcas, quando sentia isto nas cartas, evitava escrever para esta pessoa, preferindo aquele que realmente se interessava em sua pregação.

Não recomendo a participação de adolescentes e jovens neste tipo de ministério para evangelização do que se encontra encarcerado.


  1. Ter cuidado com que o que se encontra preso pode pedir.

Como afirmei anteriormente, a carência material do preso é muito grande. Campanhas no sentido de angariar doações de sabonetes, roupas, devem ser organizadas, mas quem se dispõe a trabalhar neste ministério de cartas deve deixar claro ao que se encontra preso, quando este lhe pedir alguma coisa, da sua intenção ao lhe escrever, que é: edificá-lo na fé e ajudá-lo em sua caminhada cristã, se for só este o caso.

  • Doações:

As campanhas para doações de sabonetes, pasta de dente, entre outros tipos de material de higiene pessoal são uma ação de grande importância por parte da Igreja, ao se envolver com este tipo de ministério.

Um sabonete, que para a maioria de nós é algo tão barato, com o qual damos banho em nossos animais no fim de semana, para o que se encontra encarcerado é “moeda de troca”. Soube de casos em que o que está preso chega a se prostituir por ele.

Em uma determinada Unidade Penal, os sabonetes, por completo desrespeito à dignidade da pessoa humana por parte do Estado, é “doado” por uma facção ligado ao tráfico de drogas, o que aumenta o poder destes grupos sobre o efetivo carcerário daquela unidade.
A ação das nossas igrejas locais “nesta forma de evangelização” é um gesto de amor para com o que se encontra encarcerado.

Sei de um belo caso de conversão de alguém que se encontrava encarcerado ao ser abordado por uma senhora, agente religiosa na unidade penal em que se encontrava preso, lhe disse: “Jesus te ama” e logo após lhe deu um sabonete. Este homem se sentiu tocado por um gesto simples e ao mesmo tempo tão terno. Hoje ele é pastor e durante muito tempo dirigiu um grupo que tem como propósito a evangelização do que se encontra preso e o apoio aos seus familiares.

  • Apoio à família do que encontra-se encarcerado

O apoio à família dos encarcerados é um ministério a ser exercido por nossas Igrejas locais.

Em muitos casos, o preso, mesmo que de forma ilícita, é o único provedor de sua família. A Igreja Local pode, conjuntamente com a sociedade de senhoras e de homens e agentes da Pastoral carcerária, organizar um grupo de visitação a estes familiares, oferecendo o consolo do evangelho e cestas básicas para o seu sustento.
Cursos no sentido de qualificar mão de obra e estímulo à formação de cooperativas, no sentido de ajudá-los a exercer algum tipo de atividade geradora de renda se faz necessário.

Entendo que este tipo envolvimento com o familiar do que está preso, feito pela Pastoral Carcerária e Igrejas Locais carece de estrutura e preparo para as necessidades que certamente virão, ou seja, “a demanda do trabalho pode ser maior do que a capacidade de atendê-la, dado ao nível de carência destas pessoas”.

Recomendo fazê-lo, mas também o ter cautela ao iniciá-lo e um envolvimento compatível com a real capacidade de poder ajudar no sentido de se evitar “o cair no descrédito para com estas pessoas”.



Pastor Edvandro Machado Cavalcante

Secretário Executivo de Ação Social
Coordenador da Pastoral

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